Artistas dançam ao som da cúmbia em Barranquilla © Luis Acosta / Getty Images

Fluindo de região em região, uma batida de tambor corre pela Colômbia e incorpora novos ritmos ao seu. No Caribe, o batuque é uma mistura de influências africanas e indígenas que conquista a todos com seus rodopios e suas poses sedutoras. No Pacífico, os estilos clássicos encontram outro modo de expressão: a união de movimentos elegantes e batidas modernas. Esses ritmos são tão hipnotizantes que se infiltraram em culturas do mundo todo.

Descubra outro lado da Colômbia ao conhecer estilos de música e dança que ajudam a definir as culturas locais.

Artistas dançam ao som da cúmbia em Barranquilla © Luis Acosta / Getty Images

Cúmbia

A cúmbia – tanto a música quanto a dança – assume formas diferentes na América Latina, mas acredita-se que surgiu no departamento de Magdalena, na região caribenha da Colômbia. Essa dança, que antigamente muitos usavam para cortejar alguém, mistura percussão africana com instrumentos de sopro indígenas, resultando em um ritmo contagioso e irresistível.

Todo ano, durante quatro dias de agosto, a pequena comunidade caribenha de El Banco recebe o Festival Nacional de Cúmbia, agradando a moradores e turistas ao apresentar competições de dança, shows de novos músicos e desfiles. San Jacinto, outra vila do interior, tem um papel importante na história da cúmbia: os indígenas dali inventaram a gaita – instrumento parecido com a flauta. Grupos populares como o Los Gaiteros de San Jacinto são originários dessa pequena cidade. Se você passar por Cartagena, a Crazy Salsa oferece aulas de cúmbia para iniciantes, além de outras opções de cursos de dança.

Crianças dançam no Festival de Porro em San Pelayo © Luis Pérez/CC by 2.0

Porro

O porro nasceu na região do rio Sinu, na costa caribenha, e é um subgênero da cúmbia que, atualmente, é tido como um tipo de dança de salão. Esse estilo musical era o favorito de bandas populares na América Latina no fim dos anos 1960, e, embora alguns digam que essa época tenha sido o seu auge, um novo movimento está trazendo o porro de volta aos seus dias de glória. Um grande bumbo guia o ritmo da dança.

Em Medellín, jovens abraçaram o porro, que é ensinado em escolas de dança como a Dancefree. A cidade recebe todo ano o Festival Del Porro, no bairro restaurado de La Comuna 13, onde visitantes podem praticar seus passos e manter viva a tradição. O Festival Nacional do Porro acontece em San Pelayo, no departamento de Córdoba, e atrai as mais celebradas bandas do gênero.

Dançarinos de salsa ensaiam para o desfile no Salsódromo de Cali © Luis Robayo / Getty Images

Salsa Caleña

Nos anos 1970, ritmos cubanos cruzaram o mar do Caribe e se enraizaram na região do Pacífico, em torno de Cali. Um novo estilo de salsa nasceu dessa migração: a salsa caleña. Com inspiração da cúmbia, da pachanga e do boogaloo, a salsa colombiana é reconhecida por seus passos rápidos e giros generosos. O estilo colocou Cali no mapa como a capital da salsa.

O espírito dessa encantadora melodia está tão arraigado em Cali que não é preciso ir muito longe para ser conquistado por ele. A salsa domina a rádio, e muitos hotéis e hostels disponibilizam aulas gratuitas para os turistas. Clubes como o La Topa Tolondra oferecem oportunidades para você praticar todas as noites, e Cali ainda recebe o Festival Mundial da Salsa, todo ano em setembro.

A champeta nasceu nos anos 1970 na costa atlântica da Colômbia ©FNPI/CC by 2.0

Champeta

Champeta é um animado estilo de dança e música, nascido nos anos 1970, com os afro-colombianos que viviam na costa atlântica, em torno de Cartagena, Barranquilla e Palenque. A dança é caracterizada por rápidos movimentos de quadril, e a música mistura elegantemente vocais, percussão, baixo e elementos eletrônicos – o que torna fácil pegar o ritmo, mesmo que você não saiba os passos de cor.

A champeta foi rejeitada pela cultura mainstream durante muitos anos, categorizada como música de “bandidos”, assim como o hip-hop nos Estados Unidos. Isso mudou e hoje você frequentemente ouve a champeta em comerciais de televisão e na rádio. As letras das músicas celebram o espírito inabalável dos afro-colombianos e lembram os ouvintes das origens controversas do gênero.

Uma viagem a Palenque, a primeira comunidade livre de negros nas Américas, permite a você vislumbrar a história dos negros colombianos, além de assistir a apresentações em que a champeta é o centro das atenções. O popular Bazurto Social Club, em Cartagena, oferece performances gratuitas de champeta toda semana; aproveite e convença os moradores locais a lhe ensinarem um ou dois passos da dança.  

A cidade de Palenque possui uma forte herança musical © Danielle Dorsey / Lonely Planet

Salsa Choke

A salsa choque, uma versão da salsa para o século 21, surgiu na região do Pacífico, próxima a Cali. “Choke” significa “choque” e se refere a como os corpos dos dançarinos se chocam e se tocam nessa dança sexy.

Com menos de uma década de idade, a salsa choque mistura reggaeton, eletrônica e house music com as voltas rítmicas da salsa em um som exclusivamente colombiano. Popular entre os jovens, a salsa choque é mais simples que a salsa tradicional e não exige parceiro de dança. O estilo ganhou a atenção do mundo durante a Copa do Mundo de 2014, quando o time colombiano mostrou seu gingado no Brasil.

Se você estiver em Cali, visite o Tin Tin Deo em uma noite de quinta-feira para conferir esse fenômeno musical ao vivo. Você também pode ouvi-lo na anual Feria de Cali, que acontece em dezembro, evento que conta com danças, músicas, comidas e culturas da localidade.  

Fonte: Lonely Planet – Danielle Dorsey

Share This